{"id":15164,"date":"2023-12-07T21:48:41","date_gmt":"2023-12-08T00:48:41","guid":{"rendered":"https:\/\/uxchange.com.br\/?p=15164"},"modified":"2023-12-11T13:42:03","modified_gmt":"2023-12-11T16:42:03","slug":"estrategia-e-o-papel-dos-profissionais-de-ux-e-produtos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uxchange.com.br\/estrategia-e-o-papel-dos-profissionais-de-ux-e-produtos\/","title":{"rendered":"Estrat\u00e9gia e o papel dos profissionais de UX e Produtos"},"content":{"rendered":"
H\u00e1 muito tempo dou palestras e fa\u00e7o lives. Sempre geram muitas perguntas e isso \u00e9 \u00f3timo, porque serve para eu entender o estado de UX e o ambiente de trabalho, onde o PM faz parte. Ou\u00e7o tudo atentamente.\u00a0 H\u00e1 quest\u00f5es mais pessoais e h\u00e1 cr\u00edticas, mas o mais constante mesmo \u00e9 a busca incessante por uma f\u00f3rmula, um check list que permita verificar se tudo foi feito e pronto.<\/p>\n
Algumas coisas me saltam aos olhos: 1) a busca por uma receita de bolo, ou seja, algo que resolva tudo em todas as situa\u00e7\u00f5es sem esfor\u00e7o cognitivo, 2) as cr\u00edticas aos profissionais de Produtos e 3) o conformismo de UX no papel de designer executor de ordens.\u00a0 Se voc\u00ea se sentiu provocado por alguma dessas coisas, calma!\u00a0 Eu ainda nem comecei a apresentar o que penso!<\/p>\n
A busca pela Receita de Bolo pode ser entendida de muitas formas: inseguran\u00e7a de quem est\u00e1 come\u00e7ando e precisa de orienta\u00e7\u00e3o, uma lista para gerar certeza de que nada foi esquecido, e uma forma de fazer sem pensar, s\u00f3 verificando se fez ou n\u00e3o fez algo que faz parte de um processo. Nem preciso dizer que esta \u00faltima maneira de abordar o uso da tal lista \u2013 framework \u2013 canvas, \u00e9 a pior de todas e a mais frequente nos \u00faltimos tempos. Isso significa que quem procura a lista tem pressa, n\u00e3o olha o contexto, n\u00e3o se debru\u00e7a como deveria sobre o problema e n\u00e3o quer pensar.\u00a0 Como consequ\u00eancia, essa pessoa se torna menos reflexiva e \u00e9 menos capaz de resolver problemas complexos, portanto menos atraente para quem contrata e mais f\u00e1cil de substituir por Intelig\u00eancia Artificial.<\/p>\n
As cr\u00edticas aos PMs v\u00eam de muitas formas: autoritarismo, pedidos muito \u201cde cima para baixo\u201d (o que significa que os subordinados esperam algum filtro por parte do PM), e pedidos sem fundamento mercadol\u00f3gico.\u00a0 Quando ou\u00e7o alguns profissionais dessa \u00e1rea (e da de UX tamb\u00e9m) vejo uma defici\u00eancia clara em coisas b\u00e1sicas: n\u00e3o sabem as metodologias de pesquisa (s\u00f3 conhecem uma e olha l\u00e1), confundem termos e criam uma confus\u00e3o de entendimento (exemplo: usar Discovery como sin\u00f4nimo da palavra pesquisa), n\u00e3o sabem fazer uma an\u00e1lise de viabilidade de produto no mercado, ou uma an\u00e1lise financeira e muito menos sabem alinhar a estrat\u00e9gia do produto com o portf\u00f3lio de produtos, com UX, com a Marca. Grande parte do PMs que s\u00e3o criticados, s\u00e3o truculentos. Outra parte \u00e9 muito mais voltada para a gest\u00e3o de backlog. N\u00e3o estou dizendo que s\u00e3o todos assim. H\u00e1 os excelentes!!\u00a0 Mas os que s\u00e3o criticados t\u00eam algumas das caracter\u00edsticas acima.<\/p>\n
Para quem n\u00e3o sabe, minha experi\u00eancia como PM \u00e9 longa. Eu precisei me preparar para isso, entendendo como dimensionar oportunidades e custos de produ\u00e7\u00e3o, publicidade, entre muitas outras coisas. Tive que aprender todas as metodologias de pensamento estrat\u00e9gico, lideran\u00e7a e finan\u00e7as. Quando migrei para o digital, incorporei o vocabul\u00e1rio de TI, entendi os desafios de cada sistema ou conjunto deles e comecei a pensar TI integrada ao trabalho de cria\u00e7\u00e3o de produtos.\u00a0 Na minha cabe\u00e7a, uma pessoa que faz UX e tem conhecimento de mercado, estrat\u00e9gia e finan\u00e7as \u00e9 um PM e \u00e9 muito valioso para a empresa.<\/p>\n
Muitos designers de UX e PMs, quando conversam ou postam nas redes, mostram ter um repert\u00f3rio pequeno de metodologias e fazem uso de pr\u00e1ticas de mercado distorcidas pela falta de cuidado em saber os limites entre o \u201cn\u00e3o ser acad\u00eamico\u201d e o ser perigoso! Eu n\u00e3o sei como as empresas confiam no trabalho deles, uma vez que tomam decis\u00f5es em cima de resultados ou guias sem nenhum fundamento.\u00a0 Se a gente questionar s\u00f3 um pouquinho, a casa cai.\u00a0\u00a0 Podem se aborrecer \u00e0 vontade.<\/p>\n
Por fim a quest\u00e3o do conformismo de muitos designers. Creio que a educa\u00e7\u00e3o do designer, por acontecer num momento de forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, faz com que ele creia que seu papel \u00e9 garantir que o belo e o funcional coexistam, e isso \u00e9 \u00f3timo, mas sem a preval\u00eancia do belo sobre a fun\u00e7\u00e3o! E a\u00ed come\u00e7a um drama, porque na vida adulta as despesas aumentam por diversas raz\u00f5es, e o designer, em algum momento, mesmo na sua empresa, vai gerenciar algu\u00e9m ajudando, vai fazer proposta$$$, vai ter que planejar e controlar o or\u00e7amento, entre outras coisas que s\u00e3o gerenciais.\u00a0 E existe a resist\u00eancia a se tornar uma pessoa com uma postura mais gerencial. \u00c9 como se a pessoa tivesse medo de perder esse lado.\u00a0 Decorrente disto, alguns alunos dizem que preferem ser designers, ou seja, trabalhar nesse lado mais operacional de fazer telas, ou fazer a pesquisa. Pergunto: e se todas essas listas forem incorporadas na Intelig\u00eancia Artificial e ela passar a fazer seu trabalho, voc\u00ea vai fazer o que?<\/p>\n