{"id":5777,"date":"2020-01-03T14:59:20","date_gmt":"2020-01-03T14:59:20","guid":{"rendered":"https:\/\/amyris-fernandez.com\/?p=5777"},"modified":"2020-01-03T14:59:20","modified_gmt":"2020-01-03T14:59:20","slug":"web-writing-o-que-o-futuro-reserva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/uxchange.com.br\/web-writing-o-que-o-futuro-reserva\/","title":{"rendered":"UX Writing \u2013 O que o futuro reserva"},"content":{"rendered":"\n
A chegada de algo novo ao nosso campo de atua\u00e7\u00e3o n\u00e3o\nnecessariamente descarta o que us\u00e1vamos anteriormente. Pensando em termos cognitivos, imposs\u00edvel\nentender o novo sem as experi\u00eancias passadas, e n\u00e3o estou falando isso somente\nem termos de percep\u00e7\u00e3o, mas em termos de processos. Os bot\u00f5es que apertamos nas telas s\u00e3o gestos\nconhecidos para serem executados em objetos reconhecidos e que sabemos que d\u00e3o\nsuporte a esse tipo de a\u00e7\u00e3o. Sim, estou\nfalando de affordances.<\/p>\n\n\n\n
No caso espec\u00edfico do texto, Lev Manovich fez algumas\nperguntas importantes para nortear seu livro A\nLinguagem das Novas M\u00eddias (2001):<\/a> Quais conven\u00e7\u00f5es das antigas m\u00eddias n\u00f3s\nusamos nas novas m\u00eddias? Quais s\u00e3o as formas em que as novas m\u00eddias se apoiam\nem formatos anteriores e de que forma os novos formatos modificam ou rompem com\no anterior? Quais s\u00e3o as caracter\u00edsticas \u00fanicas das novas m\u00eddias que criam a\nsensa\u00e7\u00e3o de nova realidade? <\/p>\n\n\n\n Em 1996, Michael D. Korolenko escreveu um livro brilhante,\nmas pouco conhecido,\nWriting for New Media: A Guide and Sourcebook for the Digital Writer<\/a>. Neste livro ele analisa o papel do\nprofissional de novas m\u00eddias sobre a perspectiva da \u00e9poca, quando ainda\nest\u00e1vamos na transi\u00e7\u00e3o da TV e do papel para o digital.<\/p>\n\n\n\n Nas duas obras, a de Lev Manovich e a de Korolenko, fica\nclaro que n\u00e3o h\u00e1 como abandonar o conhecimento anterior, mas que \u00e9 obrigat\u00f3rio\nentender o novo meio, usando o que h\u00e1 de mais poderoso nele, para poder\ncomunicar o que desejamos.<\/p>\n\n\n\n Como o objetivo deste artigo \u00e9 falar sobre textos, vou\nconcentrar meus esfor\u00e7os neste t\u00f3pico, e deixar para discutir o uso de texto,\nimagem, v\u00eddeo e toda a parafern\u00e1lia multim\u00eddia para um outro momento.<\/p>\n\n\n\n Importante ressaltar que vou concentrar meu artigo nas\nseguintes atividades: conte\u00fado ou escrita de textos para compor uma p\u00e1gina,\ndi\u00e1logos para sistemas que automatizam menus, e roteiros e\/ou di\u00e1logos para\nintera\u00e7\u00f5es por voz.<\/p>\n\n\n\n Escrever bem n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. \n\u00c9 preciso dom\u00ednio de um vasto vocabul\u00e1rio, entender o seu estilo como\nescritor, saber quais s\u00e3o as inten\u00e7\u00f5es da empresa que contrata seus servi\u00e7os e\nquais as caracter\u00edsticas do p\u00fablico que predomina em sua audi\u00eancia, pois estas\nduas \u00faltimas ir\u00e3o determinar escolhas importantes relacionadas ao texto.<\/p>\n\n\n\n Mas se escrever textos \u00e9 um desafio, escrever roteiros para\ndi\u00e1logos automatizados \u00e9 ainda mais desafiador. \nBoa parte do desafio est\u00e1 em encontrar o equil\u00edbrio entre a norma culta\nda l\u00edngua e a informalidade, cercada de erros de Portugu\u00eas por todos os lados,\nda l\u00edngua falada. <\/p>\n\n\n\n Quando se trata de produtos, acertar o tom \u201ceditorial\u201d\ncorreto para o p\u00fablico fica mais complicado, pois na fala, quem fala identifica\nvisualmente seu interlocutor e, a partir da identifica\u00e7\u00e3o do perfil, adapta ou\nusa um vocabul\u00e1rio mais apropriado. \nQuando vou falar com um professor universit\u00e1rio, por exemplo, procuro\nfalar o meu melhor e mais claro portugu\u00eas, mas quando converso com pessoas\nrelacionadas a neg\u00f3cios, usualmente fa\u00e7o uma mistura de termos em portugu\u00eas e\ningl\u00eas, pois a l\u00edngua de neg\u00f3cios \u00e9 o ingl\u00eas e fim de conversa. Uma m\u00e1quina n\u00e3o tem esse privil\u00e9gio e a\nchance de errar \u00e9 enorme. Eu n\u00e3o gosto\nde \u201cextrema informalidade\u201d nos menus de bancos, por exemplo, pois junto com\nisso vem os tais erros de portugu\u00eas. Os erros sempre me deixam na d\u00favida: o\nerro foi proposital ou \u00e9 ignor\u00e2ncia da norma culta mesmo? De qualquer forma, quem sofre com a minha\nd\u00favida \u00e9 a marca que contratou o servi\u00e7o e quem perde meu respeito foi quem\naprovou o que a ag\u00eancia fez.<\/p>\n\n\n\n Na web, boa parte do trabalho de um UX Writer concentra-se no texto.\u00a0 Mas seria simplista demais se o trabalho fosse apenas escrever um texto.\u00a0 Obviamente o trabalho muda muito em forma e volume dependendo do produto e da inten\u00e7\u00e3o.\u00a0\u00a0 Voc\u00ea quer informar ou quer vender?\u00a0 S\u00e3o informa\u00e7\u00f5es do tipo caracter\u00edsticas t\u00e9cnicas ou \u00e9 uma reportagem?\u00a0 Muito diferente, correto?\u00a0 Se seu trabalho comp\u00f5e uma p\u00e1gina, h\u00e1 fotos e v\u00eddeos relacionados, portanto, o conjunto tem que fazer sentido, e fotos e v\u00eddeos s\u00e3o Conte\u00fado, pelo ponto de vista da An\u00e1lise Heur\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n Na web, diferente de mobile, \u00e9 ligeiramente mais confort\u00e1vel\nler textos longos. Ainda assim, mesmo\ncom todos os avan\u00e7os da tecnologia, os displays s\u00e3o menos confort\u00e1veis que um\ne-readers ou papel, e as pessoas leem por menos tempo, usualmente desatentas ou\ncercadas de distra\u00e7\u00f5es, o que torna o desafio de comunicar bem maior! <\/p>\n\n\n\n Uma das coisas mais importantes de notar \u00e9 que o trabalho do UX Writer n\u00e3o come\u00e7a quando o prot\u00f3tipo termina ou est\u00e1 em M\u00e9dia Fidelidade.\u00a0 Um UX Writer deveria estar desde o come\u00e7o do projeto, exatamente como acontece no caso de cria\u00e7\u00e3o de di\u00e1logos de voz.<\/p>\n\n\n\n Entender o que faz essa empresa, quem s\u00e3o seus concorrentes,\nassimilar o tom da marca e participar das reuni\u00f5es onde se decide os objetivos\ndo projeto ao esse repensar do conte\u00fado s\u00e3o coisas fundamentais. Lembro que as pesquisas s\u00e3o de suma import\u00e2ncia! Se n\u00e3o existirem registros: grava\u00e7\u00f5es,\nimagens, e se voc\u00ea \u00e9 respons\u00e1vel pelo projeto, saia fazendo pesquisa, observe\npessoas consumindo esse produto (seja de longe ou entrevistando mesmo)! Fazer o\ntrabalho sem esse tipo de informa\u00e7\u00e3o \u00e9 viajar sem destino certo. <\/p>\n\n\n\n Esse \u00e9 um trabalho que requer, al\u00e9m do seu conhecimento como\njornalista, de conhecimento de caracter\u00edsticas do neg\u00f3cio, de seu vocabul\u00e1rio interno\ne de como os usu\u00e1rios\/clientes usam palavras, ligam uma ideia a outra. Sem esse modelo mental, entender as liga\u00e7\u00f5es\nentre ideias fica mais dif\u00edcil, porque uma coisa \u00e9 a l\u00f3gica da empresa e outra\n\u00e9 de quem consome. O ponto de vista da\nempresa ainda \u00e9 por departamentos e seus processos. O vocabul\u00e1rio \u00e9 t\u00e9cnico e muitas vezes est\u00e1\nrelacionado a processos internos. Eu n\u00e3o\nsei o que \u00e9 VW2 \u2013 DT 1234, mas sei o que \u00e9 um eixo ou pelo menos tenho uma\nideia. <\/p>\n\n\n\n Algo para lembrar com carinho \u00e9 que textos despertam nossa\nmem\u00f3ria e imagina\u00e7\u00e3o, portanto, ao criar um texto, \u00e9 sempre bom criar o\nlabirinto ad hiperm\u00eddia, ligando ideias e textos como deve ser. Isso requer uma enorme sensibilidade com\nrela\u00e7\u00e3o ao que cada conte\u00fado e palavra despertam no leitor. \u00c9 preciso conhec\u00ea-lo para colocar-se no lugar\ndele, mas \u00e9 preciso tamb\u00e9m sugerir liga\u00e7\u00f5es que essa pessoa talvez nem\nperceba. Nem tudo deve ser deixado ao\nacaso, como dever do menu ou da busca, pois parte da navega\u00e7\u00e3o pode e deve\nocorrer pelo texto.<\/p>\n\n\n\n Sei bem que um dos medos \u00e9 perder o usu\u00e1rio em meio a\njanelas abertas, mas um escritor s\u00f3 perde um usu\u00e1rio que n\u00e3o estava destinado a\nacabar de ler o texto. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma\nquest\u00e3o de distrair ou n\u00e3o, mas de dar motivos para terminar a leitura.<\/p>\n\n\n\n No caso do mobile, ler longos textos \u00e9 desafiador, n\u00e3o s\u00f3\npelo tamanho do display e das letras, mas pela quantidade de est\u00edmulos vindos\ndo contexto, tornando o momento de foco na leitura ainda mais curto. O meio exige aquele tom de manchete! Uma primeira linha com tudo o que o c\u00e9rebro\ndo leitor precisa para fazer ou pensar o que voc\u00ea precisa comunicar.<\/p>\n\n\n\n Um totem oferece como vantagem o apoio de imagens e \u00edcones\n(pode ser uma desvantagem, mas vamos focar no positivo), mas obriga todo\nprofissional a pensar em di\u00e1logos dentro das restri\u00e7\u00f5es do sistema. Numa URA, onde as \u00e1rvores de di\u00e1logo ainda\ns\u00e3o bastante restritas, quando voc\u00ea n\u00e3o acha a op\u00e7\u00e3o que deseja, ou aperta o 9\npara falar com o atendente ou aperta 0 (zero) para voltar ao menu anterior,\nporque essa \u00e9 a restri\u00e7\u00e3o do sistema. <\/p>\n\n\n\n Menus Automatizados e Di\u00e1logos de ChatBots<\/strong><\/p>\n\n\n\n Algumas dessas URAs s\u00e3o personaliz\u00e1veis. Podemos colocar\nvozes gravadas, escolher di\u00e1logos mais humanizados. E o tal do humanizado tende\nao infantilizado ou vem cheio de erros de portugu\u00eas \u201cporque \u00e9 assim que as\npessoas falam\u201d. Verdadeiro show de\nhorror e um assassinato da l\u00edngua!<\/p>\n\n\n\n No caso dos chatbots, prever toda a \u00e1rvore de decis\u00e3o ou\nposs\u00edveis di\u00e1logos \u00e9 onde reside o que diferencia um bom ou mau sistema. Claro que nem sempre somos capazes de prever\ntodas as possibilidades, e se o sistema for criado para aceitar o erro e\ncorrigi-lo rapidamente, tanto melhor.<\/p>\n\n\n\n O desafio de quem desenha esses di\u00e1logos para chatbots est\u00e1\nem: 1) Encontrar o tom certo de voz desse personagem que fala, 2) Prever as\npossibilidades, 3) Antecipar situa\u00e7\u00f5es de exce\u00e7\u00e3o e criar um sistema de\ncorre\u00e7\u00e3o\/solu\u00e7\u00e3o do problema com a maior rapidez e transpar\u00eancia poss\u00edvel, 4)\nEntregar uma experi\u00eancia de di\u00e1logo que alinhe a percep\u00e7\u00e3o desenhada de marca\ncom a experi\u00eancia vivida atrav\u00e9s da intera\u00e7\u00e3o com o chatbot. Tudo isso sem esquecer do bom portugu\u00eas.<\/p>\n\n\n\n Mais uma vez, o que mais tenho visto \u00e9 a op\u00e7\u00e3o por di\u00e1logos\nque pretendem imitar o lado descontra\u00eddo da conversa humana e os erros que\nnaturalmente adv\u00e9m da fala em portugu\u00eas \u201cbrasileiro\u201d. O resultado que eu observo \u00e9 um desastroso\nmix de erros de portugu\u00eas numa fala quase infantil. Lamento, mas eu sei que estou falando com um\nbot! A rapidez da resposta, a forma de\nconstruir frases e o fato de eu perceber que os di\u00e1logos v\u00eam preparados faz com\nque minha expectativa seja de algo mais correto, mais formal. Qualquer outra coisa parece for\u00e7ada e, de\ncerta forma, errada. <\/p>\n\n\n\n Humanos adaptam todo seu vocabul\u00e1rio para conversar com\ndiferentes tipos de pessoas. Se eu vou\nfalar com algu\u00e9m mais educado que eu em algum assunto, adapto n\u00e3o s\u00f3 o vocabul\u00e1rio,\nmas a forma de apresentar as coisas. \nQuem nunca foi falar com um chefe reconhecido por ser um homem de n\u00fameros\ne apareceu na sala dele com uma planilha, n\u00e3o \u00e9? At\u00e9 porque se voc\u00ea fizer diferente, ele nem\nvai prestar aten\u00e7\u00e3o. Chatbots n\u00e3o conseguem fazer\nisso t\u00e3o bem (ao menos em 2020) e nem se espera isso deles<\/a>. Pergunto: qual a raz\u00e3o de colocar erros de portugu\u00eas\nna fala do bot? Qual a raz\u00e3o de ser \u201cengra\u00e7adinho\u201d,\n\u201cdescoladinho\u201d, se eu sei que estou falando com um bot? <\/p>\n\n\n\n Enquanto muitos UX Writer se preocupam em ter seu trabalho reconhecido, o t\u00edtulo do cargo correto e a descri\u00e7\u00e3o de cargo perfeita h\u00e1 um fen\u00f4meno acontecendo: textos sendo criados por algoritmos e Intelig\u00eancia Artificial.\u00a0 Textos precisos e gramaticalmente corretos que aparecem com o passe de m\u00e1gica na sua tela, pois o algoritmo prev\u00ea sua forma de escrever, sua escolha de palavras. <\/p>\n\n\n\n Smart Compose \u00e9 um feature do Google<\/a>, e foi introduzido em Maio de 2018, portanto, j\u00e1 faz um tempinho. Considerando que cerca de um quinto da popula\u00e7\u00e3o humana usa o Gmail, uma boa parte da humanidade j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 escrevendo parte dos seus e-mails. \u00c9 uma outra entidade!<\/p>\n\n\n\n Isso ocorre com uma precis\u00e3o assustadora, pois o algoritmo\nbaseia-se n\u00e3o s\u00f3 no que escrevemos corriqueiramente em nossos textos, mas \u00e9\nponderado em rela\u00e7\u00e3o ao que outras pessoas escrevem e palavras que\nescolhem. <\/p>\n\n\n\n A ideia de criar esse atributo dentro do Gmail nasceu do\nfato de boa parte dos c\u00f3digos em programa\u00e7\u00e3o, serem longas sequ\u00eancias id\u00eanticas\ne por existir evid\u00eancia de que 25% do trabalho de uma pessoa num escrit\u00f3rio\nconsistem em escrever e-mails, pareceu l\u00f3gico usar a mesma tecnologia para as\nduas situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n O resultado tem sido no m\u00ednimo surpreendente para quem\nusa. H\u00e1 momentos em que a m\u00e1quina parece\nsaber mais e sabe fazer melhor que algu\u00e9m bem treinado para isso. Mas o texto \u00e9 uma express\u00e3o do pensar, portanto,\na m\u00e1quina est\u00e1 aprendendo como (em termos de forma, pelo menos) n\u00f3s\npensamos. <\/p>\n\n\n\n Smart Reply<\/a>, algo que vemos nas op\u00e7\u00f5es de respostas oferecidas no LinkedIn, por exemplo, gera uma outra interfer\u00eancia nas rela\u00e7\u00f5es humanas: o responder sem pensar, de forma autom\u00e1tica e minimalista: Valeu, OK, e Entendi. Simples e direto, sem margem para interpreta\u00e7\u00e3o e sem sentimento. Pressionados pela enorme quantidade de tarefas, as respostas automatizadas s\u00e3o uma excelente op\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o carregam energia vital. <\/p>\n\n\n\n Em Fevereiro de 2019, a Open AI decidiu n\u00e3o lan\u00e7ar comercialmente\nsua pr\u00f3pria vers\u00e3o de A.I. Writer, por ser boa demais e, por isso, ser assustadora. A rea\u00e7\u00e3o ao GPT-2<\/a>,\nesse super escritor artificial, foi violenta e cheia de cr\u00edticas\nnegativas. A verdade \u00e9 que a tecnologia\nexiste e s\u00f3 n\u00e3o iremos us\u00e1-la agora por medo ou porque algu\u00e9m viu melhor\nserventia. O algoritmo da OpenAI hoje \u00e9\no melhor estrategista de jogos conhecido e vence times de humanos com\nfacilidade. <\/p>\n\n\n\nMeios Digitais Exigem Conhecimento da L\u00edngua<\/strong><\/h3>\n\n\n\n
Web e Consumo de Informa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n\n\n\n
O Algoritmo Que Sabe Demais<\/strong><\/h3>\n\n\n\n